A igreja cristã, sua essencialidade e o STF

A igreja cristã, sua essencialidade e o STF

Ninguém detém é obra santa…

Em um mundo que já enfrenta todo tipo de adversidade, crises e dilemas, a crise sanitária do novo coronavírus vem agravar toda essa realidade. Estamos convivendo com famílias, pessoas, empresas, escolas, comércio e todo tipo de agrupamento e deles ouvimos a mesma e clássica frase “as coisas estão difíceis”. E de fato estão e, a igreja é parte dessa difícil realidade e, enfrenta também seus grandes desafios. “não está fácil pra ninguém”.

Tenho acompanhado a discussão da essencialidade e sinceramente não acredito que ela esteja diretamente vinculada, nesse momento, à questão de ter ou não celebrações presenciais. Não resta dúvida que ela é essencial, a constituição federal garante essa essencialidade dando a fé (qualquer uma) o caráter de “inviolável”.

O debate sobre a essencialidade da igreja (fé) tem tomado a mídia, as redes sociais e alcançou o supremo tribunal federal (STF). Lamentavelmente, o rumo que esse mesmo debate tomou não ajudou a igreja a aproveitar essa imensa oportunidade e agir de maneira racional, para não dizer inteligente. Sem querer ser o “inteligente” aqui e, apenas analisando os fatos podemos observar tudo isso por diferentes ângulos.

O ângulo do estado _ O estado brasileiro, assim como tantos outros em diferentes partes do globo, estava despreparado para agir adequadamente e enfrentar a pandemia. No caso do Brasil claro ainda mais despreparado. Tudo se agravou pelo oportunismo político – partidário que transformou a pandemia em um campo de batalha no âmbito municipal, estadual e federal entre governistas e oposicionistas. Além disso, a endêmica corrupção eclodiu mais uma vez e os aproveitadores se “lambuzaram” usando a expressão de minha terra, buscando tirar vantagens sobre a população indefesa.

A classe política se dividiu entre aqueles que insistiram em minimizar a crise e a doença em si e do outro os que a supervalorizam buscando os dividendos ($) recebidos da união e as liberações de editais onde se faz ser desnecessária as licitações. Assim se abriram as porteiras para o descaso e a corrupção e, ao que parece, os números foram e são mascarados e os registros de causa mortis dados como covid 19 quando pessoas morreram de outras causas vem sendo noticiados por familiares. O Estado sabe, mas ao que parece, não quer lidar coma situação, como se faz necessário, por não ser interessante para ele. A pandemia passou a ser uma ferramenta de poder e manipulação.

O que me incomoda não são os decretos que limitam a presença na igreja, mas sim os dois pesos e as duas medidas que são colocadas pelos governos. Na paraíba por um tempo tudo estava aberto e liberado, mas as igrejas estavam fechadas, em Pernambuco mantiveram as concessionárias de veículos abertas e fecharam as igrejas e ainda se ouviu em grande audiência, um secretario de estado dizer: “todos tem o direito de comprar seu carrinho”. Sem falar nas eleições municipais onde candidatos aglomeraram multidões e depois, todos vimos os números crescerem vertiginosamente.

O ângulo da mídia_ dificilmente há no Brasil, quiçá no mundo, uma mídia isenta de interesses de todo tipo. Sim, acredito nas exceções, que no meu entendimento são raras. No Brasil, salvo essas exceções, a imprensa televisiva é um desastre, os noticiários servem de instrumentos manipulativos a uma população desinformada. Os noticiários fazem questão de mostrar os detalhes do sofrimento dos indivíduos que mais parece uma sessão de cinema de tragédia, chamando assim a atenção da população e gerando pânico. Isso mantem a população ligada e gera audiência que é o que a eles importa.   

O ângulo da Igreja_ A igreja, como já dissemos é essencial à população, sim é, mas também não é nenhuma novidade que a sua essencialidade não está, apenas, nas celebrações presenciais. Essas são a assembleia dos santos, lugar e momento em que a comunidade da fé acontece com intensidade e o conselho do escritor da carta aos hebreus em um contexto de guardar a fé é

Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia. Hb 10:25

Esse momento é sagrado e vital para a manutenção da comunidade da fé. No entanto a igreja e nós cristãos precisamos pensar estrategicamente e nos associarmos a todos que, de boa fé, estão dentro dessa batalha contra essa enfermidade. Ao longo da história a igreja sempre atuou com sua presença nas calamidades, pandemias e em situações em que a sociedade demandava a presença de uma voz e ação de misericórdia. Essa natureza é intrínseca da igreja de Jesus Cristo desde os primeiros séculos em que os cristãos eram conhecidos por serem aqueles que cuidavam dos doentes das enfermidades mais graves quando ninguém se dispunha a cuidar.

Acredito que é hora de, de como igreja, sermos esse braço de misericórdia, essa presença de amor e cuidado e exemplo para todos. Não vejo com simpatia a entrada da igreja em “brigas” intermináveis e com insistência solicitando a abertura dos templos para as celebrações presenciais. Vamos acordar para o fato, para a realidade, as pessoas estão morrendo, estão passando fome, a crise alimentar se avoluma e a presença da igreja precisa ser para mitigar essa dor dos enlutados e dos necessitados.

Se, como igreja seguirmos sendo o braço de misericórdia, se como cristãos, independentemente de bandeira denominacional, nos debruçarmos em servir, atender, aconselhar, consolar, criar campanhas de ajuda emergencial, levantar alimento, sermos voz ativa em meio a toda essa turbulência que vivemos e, nos preocuparmos menos comas celebrações presenciais, acredito que ajudaremos muito pois somos a maior força voluntária do planeta.

A Igreja, de maneira geral perdeu quando levou um apelo ao STF para a liberação das celebrações presenciais. Perdeu porque deu voz a um tribunal laico, desvinculado da vida eclesial, com suas próprias prioridades e interesses. E essa voz foi quase que uníssona de críticas às igrejas. Demos assim a oportunidade aos “gentios” julgarem os “justos” e nos darem lições de como agir em cadeia nacional.  A igreja, nas palavras de um pastor amigo, “foi achincalhada na suprema corte do país porque políticos e “pastores políticos” vendem a alma por poder a mamon… a noiva não merece isso, Jesus está chorando novamente

Nas nossas igrejas, temos seguido os protocolos e realizado celebrações presenciais dentro de todas as normas sanitárias, o número de fiéis presentes foi drasticamente reduzido, investimos em transmissões on line e estamos seguindo na missão. Mas, é fato que sentimos muita falta de estar na igreja local cheia de irmãos e irmãs, sentimos a falta do abraço amigo, da oração presente, do compartilhar olhando nos olhos… nada disso é o ideal mas talvez seja a nossa contribuição no momento Não podemos virar as costas e negar a realidade que estamos vivendo.

Creio que é tempo de sermos mais solidários e deixarmos esse “espírito cruzado”, essa mania de enxergar em tudo a sombra da perseguição. A igreja seguirá triunfando, foi ela a única instituição que viu e continuará vendo a ascensão e a queda dos impérios, reinados e governos… Como diz o hino “ninguém detém é obra santa

Meu choro não é livre!

Meu choro não é livre!

Meu choro não é livre, como disse a ancora da Globo @majucoutinhoreal.
Meu choro é por compreender o momento difícil e tentar sentir na pele a dor de quem está sofrendo, perdendo familiares e amigos. Meu choro é por todos que perderam algum familiar e amigos próximos. Meu choro é pelos desafios emocionais que muitos estão passando.
Meu choro é por quem está vendo seu emprego ir embora.
Meu choro é pelo vendedor de quiabo na rua, impedido pela polícia, e que clama para levar o pão aos filhos.
Meu choro é pelos empreendedores desse país que sofrem com os dois pesos e duas medidas.
Meu choro é por uma parcela da população que se deixa levar pela mídia corrompida e Interesseira e que no meio da dor, se distrai com suas novelas malignas, experts em desconstrução de valores.
Meu choro é pelo sofrimento de todo o mundo.
Mas meu choro não é livre, como de alguns atores “globais” que pedem ao povo para ficar em casa mostrando suas mansões e sugerindo “abrir um bom vinho, porque ninguém é de ferro”.
É privilégio de alguns poder ficar em casa, mas choro. Choro e procuro ver o que posso fazer… chego até a me irar, mas logo a Palavra me fala uma palavra de consolação:
“Pois a sua ira só dura um instante, mas o seu favor dura a vida toda; o choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria. Salmos 30:5.
Não @majucoutinhoreal, o choro não é livre…

Eu choro pelo Brasil

Deus, a mulher, e o dia da mulher

Deus, a mulher, e o dia da mulher

Dia da Mulher nas escolas: como trabalhar a data de forma inspiradora -  WPensar blog – Tudo sobre Gestão Escolar

Ontem foi o Dia Internacional da Mulher… estive observando tudo o que se diz e quando faço isso, vejo que ainda existe alguns mal entendidos quanto a esse dia tão especial. Sinceramente, vejo homenagens, vejo declarações de amor, vejo muitas coisas ditas e nem sempre tem a ver com o que a data representa. Dizer que vocês são especiais não acho necessário, porque isso vemos a cada dia de nossa existência, dizer que minha mãe é minha heroína eu sempre disse. Homenagear as esposas etc. e etc…

Vejo nesse dia poucas referencias ao que essa data representa. Ela existe para dizer que a mulher tem DIREITOS, que elas não podem ser PRETERIDAS, que elas são CRIADAS À IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS, e assim devem ser respeitadas por respeito ao Seu criador que assim as criou, e nela também se regozija. Nossa igreja crê nisso, crê que a violência, o preconceito, a exploração e toda diferença feita contra ela e que traga prejuízo a essa imagem é um crime, sim, mas acima de tudo é um pecado contra o Deus do universo, pois agindo assim estaríamos agindo contra o Seu plano perfeito.

Sou grato a Deus por ser parte de uma igreja que a valoriza, que a honra, que dá espaço para que ela se desenvolva, crie, ministre, abençoe e use todos os talentos que o criador a deu… E peço a Deus que a igreja cristã cada vez amplie mais o seu olhar sobre as mulheres, que abra espaços e lhes dê o direito que seu criador já as deu. Lamento pelos grupos religiosos, cristãos e não cristãos que alimentam essa discriminação e persistem no pecado. Rogo uma exegese mais apurada, uma hermenêutica mais aberta e assim, pedindo emprestado os olhos do criador enxerguemos elas como nossas parceiras, irmãs, colegas…

Às mulheres, desejo que sigam buscando isso e não se deixem levar pelos excessos de grupos suspeitos que levantam a bandeiras dos direitos, mas confundem com uma batalha de gênero. Lutem pelo seu espaço e nunca se permitam levar pelas bandeiras de ódio, de pecados contra a vida…sejam sempre mulheres, femininas que foram criadas para serem nossas companheiras e nos ajudar a construir uma sociedade mais justa.

Um dia escrevi um artigo que dizia algo mais ou menos lhe deu.  assim “queria que esse dia não fosse necessário” e é esse meu sentimento sempre que esse dia chega pois ele só existe porque houve e ainda há a necessidade de levantarmos a voz delas e fazer eco aos seus direitos.

A Realidade do “Mundo Gospel” brasileiro e as práticas evangélicas

A Realidade do “Mundo Gospel” brasileiro e as práticas evangélicas

O Jornal Online

Existe no Brasil um considerável movimento de crescimento da igreja evangélica, isso é inegável. Mas em momento algum esse movimento deve ser considerado como um avivamento, quando isso acontece existem marcas que acompanham esse chamado “avivamento”. Uma simples olhada na história dos grandes avivamentos e veremos que eles sempre são acompanhados de alguns fatores comuns. O padrão dos avivamentos segue aquele primeiro de todos após Pentecostes e que está registrado no segundo capítulo do livro de Atos dos apóstolos cap 2: 41-47

 Um genuíno avivamento é acompanhado dessas marcas, claras aqui no texto de Atos

  • Crescimento numérico dos que aceitam a Cristo.
  • Dedicação ao estudo da Palavra de Deus
  • Celebração e oração
  • Temor
  • Sinais e maravilhas
  • Unidade
  • Serviço ao próximo e necessitados
  • Reuniões familiares (células?)
  • Simpatia do povo
  • Crescimento natural

Em um movimento de crescimento de igreja apenas, e esse parece ser o caso do Brasil, algumas dessas marcas até aparecem, especialmente o crescimento numérico, mas elas estão descontinuadas e longe de atingir as demandas da nação. Na Inglaterra com Wesley, houve um evangelho integral atingindo todos os setores da sociedade, no Pais de Gales com Evan Roberts aqueceu a fé de uma nação inteira que vivia morta espiritualmente, no oeste da África trouxe uma devoção pela palavra de Deus pelo evangelismo e pelas disciplinas espirituais que são vividas até os dias de hoje como herança daquele mover.

No nosso caso brasileiro a situação é bem diferente e alguns males precisam ser sanados para que um verdadeiro e genuíno avivamento envolva a nossa nação. É claro que existem casos louváveis em várias e diferentes realidades e igrejas, mas de longe não representam o que se conhece como a Igreja Evangélica Brasileira ou o que podemos chamar de “Cultura Gospel” em nosso país, essa de fato é entristecedora. Cito abaixo o que percebo em uma rápida análise

Falta de unidade_ O individualismo, salvo exceções, é muito forte na cultura gospel brasileira. Ilhas de unidade e seriedade podem ser encontradas, mas de maneira geral cada um cuida de seu “império” e o discurso raso de unidade não sobrevive ao conselho de Paulo aos efésios “há um só Senhor, uma só fé, um só batismo” Ef 4:5. Nunca rebatizei um crente pois creio no valor do sacramento, já recebi vários vindos de outras confissões denominacionais, mas sempre tive o credo como sinal de unidade e o batismo como marco de uma fé uma vez confessada como sendo necessária. Recentemente e sem ser a 1ª vez, vi um antigo membro de minha congregação ser batizado em uma igreja “irmã” cujo pastor bate em minhas costas e me chama de querido, mesmo não reconhecendo o batismo por mim realizado. Onde está a unidade?

Independência_ Lamento por uma geração inteira de líderes da cultura gospel que caminham sós e sem a necessária e bíblica prestação de contas. Seguem sem conselhos e quando recebem, entendem como ingerência ou inveja pelo seu grande salto de “sucesso”. Sou líder de uma denominação de regime episcopal que possui nos bispos os pastores de pastores, que atuando apropriadamente são verdadeiros pais espirituais gerando uma relação em que a prestação de contas é necessária e a independência não faz parte. Alias a independência é a marca do maior desvio que jamais existiu na humanidade. Lideranças independentes produzem uma igreja dependente deles mesmos. O bom exemplo tem sido dado por aqueles, que mesmo em grupos denominacionais diferentes, se protegem prestando contas uns aos outros, existem bons casos no Brasil, mas ainda são exceções.

Teologia pobre em hermenêutica_ assusta a pobreza, para não dizer a ausência de uma boa hermenêutica nas mensagens de tantos púlpitos brasileiros. As vezes me surpreende a “criatividade” da mente de alguns pregadores que, sem a mínima base teológica, conquistaram grandes públicos com uma teologia “coach”, positivista e versada em uma prosperidade antibíblica onde o sucesso é a única opção e sofrer é para os fracos.

Proselitismo_ existe no Brasil um crescimento de algumas comunidades que na medida que crescem outra encolhem. Este é o crescimento por proselitismo, eu explico. É natural que cristãos mudem aqui e ali de comunidade. Seja porque não gostam mais do pastor ou porque simplesmente se decepcionaram com alguém em sua comunidade ou por outras razões menos importantes.  Acho que tudo isso pode acontecer dentro da normalidade. O que não me parece normal e evangélico é o proselitismo intencional e isso acontece com frequência no Brasil. Líderes criam grupos, movimentos, programas e mesmo conferências “ecumênicas”, atraem pessoas de diferentes igrejas e depois, abrem igrejas a partir desses grupos e a migração acontece. Isso é triste de se ver, igrejas que enchem porque outras murcham.

Carreira x fé _ me chama a atenção o que eu chamo de desvio de função existente por pastores que ganha espaço no meio evangélico brasileiro. Eu fui chamado para equipar os santos, segundo Paulo escreveu aos efésios

E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, Ef 4:11-12

Por outro lado, Jesus diz e Paulo repete (Mc 10:10, 1m Tm 5:18) que o obreiro é digno de seu salário. E por isso eu considero “desvio de função” porque eu recebo salário para preparar os santos e não deveria cobrar mais por esse mesmo trabalho. É grande o número de pastores que estão criando cursos e mentorias particulares e cobrando por isso se desviam daquilo para o que foram chamados pois são pagos por suas igrejas para equipar os santos. Mas se alguém que é membro da igreja de um desses pastores, que já paga um salário para que ele os prepare para a obra do ministério e que, desejando participar de um desses cursos terá que pagar a mais. Lamentavelmente são líderes midiáticos, que estão nas redes sociais cativando pessoas e trazendo-as para seus apriscos e planos de carreira.

Continuamos orando por um avivamento genuíno…. que venha e que venha breve!!

Cristianismo Liquido

Cristianismo Liquido

Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Rm 12:1-2

O Cristianismo em sua versão original é um conjunto de crenças bem sólidas. Essas crenças foram questionadas por toda história e por diferentes expressões filosóficas, tradições religiosas, usos e costumes antigos e modernos, sistemas de governo e governantes e, nunca sucumbiu nem tampouco negociou seus valores e assim, se manteve firme em suas origens por séculos. Talvez, uma das razões para essa “firmeza” seja o fato de o principal sistematizador de suas doutrinas ter sido Saulo de Tarso, depois Paulo apóstolo de Jesus Cristo por chamado especial. Judeu, de origem farisaica, educado na escola de Gamaliel, que foi um dos mais renomados nomes das escolas teológicas judaicas do 1º século.

A Escola farisaica era conhecidamente rígida, exclusivista e nacionalista. Flexibilização não era uma palavra que fazia parte do vocabulário fariseu. Eram reconhecidamente fundamentalistas e foram classificados por Jesus como “Hipócritas” e “Sepulcros caiados” no evangelho de Mateus

“Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície. Mt 23:27

Alguns se arriscam a dizer que, de alguma forma, isso pode ter tido uma relação direta com a maneira que a fé cristã se estabeleceu e não somente sobreviveu, mas avançou consideravelmente nos primeiros séculos da era cristã em meio a um turbilhão filosófico, uma verdadeira salada filosófica greco-romana e um arcabouço doutrinário judaizante, a outra possibilidade é assumir que a mensagem prosperou porque era plano de Deus e o Espirito Santo atuou profundamente, pela “excentricidade” da mensagem para a mente helênica, somente por esse poder o evangelho poderia se expandir. Particularmente fico com a segunda opção, sem, no entanto, desconsiderar a primeira.

Mesmo falando a hedonistas, seguidores de Platão, epicureus e outros, Paulo nunca negociou os princípios do evangelho, nunca procurou adequar essa mensagem a qualquer circunstância que a deixasse mutilada. Dizer. Como já escutei, dizer que Paulo não era ortodoxo é desconhecer Paulo e a sua teologia. Foi essa ortodoxia que o levou por diversas vezes a quase sucumbir e morrer, mas sempre mantendo sua palavra firme e a apresentação de um evangelho ortodoxo, sólido e imutável.

Às mulheres de Corinto disse” não cortem os cabelos, para serem diferenciadas das sacerdotisas prostitutas que serviam nos templos pagão e rapavam suas cabeças, aconselhou também que elas não falassem em público para que, da mesma, forma não fossem confundidas com as líderes religiosas pagãs. Sim Paulo era ortodoxo, deu solidez a mensagem do evangelho, usou de ferramentas de seu tempo, sem negociar os pilares da fé.

Por definição, pelas suas origens e pela sua história a fé cristã é sólida e ortodoxa

Ortodoxia_ interpretação, doutrina ou sistema teológico implantado como único e verdadeiro pela Igreja

Lamentavelmente, mesmo existindo hoje muitos homens e mulheres de Deus que seguem os passos desse gigante de Tarso, que dão solidez a mensagem do evangelho e não negociam seus pilares, surge em nosso  meio evangélico um tipo de cristianismo que, mesmo não apresentando algo necessariamente novo, começa a importar posturas e pensamentos que promovem um cristianismo “adoutrinado”, sem absolutos, amórfico e assim, perdendo sua capacidade histórica de ser referencia par quem busca uma relação verdadeira com Deus .

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017) um dos eminentes teóricos sociais do mundo é o autor do livro Vida Liquida, Zygmunt acreditava que, ao fazer perguntas sobre nossa própria sociedade, ficaríamos mais livres, e alguma forma Isso desenvolve o pensamento que leva a ideia de uma sociedade autônoma que questiona tudo o que é narrado e, sai em busca de novos significados  e assim passa a questionar os valores que estão sendo colocados para todos nós. Alguns que seguem esse pensamento afirmam que não podemos ser escravos de narrativas que estão sendo fabricadas ao nosso redor, perdendo contato com as nossas próprias experiências subjetivas. Advogam que na vida pessoal se vive essa mudança de sólido para líquido diariamente e isso se reflete na economia que antes valorizava um emprego permanente e hoje se entusiasma com uma multiforme expressão profissional que faz de tudo e encontrar algo com o que se possa conformar  parece de pouco ou nenhum interesse. Para Bauman, a vida líquida é uma vida de consumo. Isso se repete em nossas crenças, que estão sujeitos a mudanças. A realidade é dividida em módulos, que muitas vezes parecem pertencer a universos paralelos. Não há um quadro sólido para dar significado às nossas vidas. Para ele, uma vida muito mais líquida parece inevitável. Mas é isso que realmente queremos? Isso é bom para nós?

E a resposta precisa ser clara, definida e objetiva: Não, não é! Especialmente para aqueles (as) que se incluem no grupo dos cristãos. Para um cristão a vida liquida é tudo que se opõe aquilo que Jesus Cristo trouxe em seu evangelho. Em absoluto, não é porque saímos da ortodoxia da lei que entramos em uma graça heterodoxa. A fé cristã é sólida na sua mais profunda origem e assim precisa se manter para que não sucumba ao século. Ser contracultura é ser sólido, é o que está firme e que não se abala.

Paulo quando escreve aos romanos deixa claro que a solidez da fé cristã não se adequa ao estado líquido do pensamento moderno. Ora se ele diz “não tomem a forma do mundo…” devemos prestar atenção a como isso poderia se dar hoje. Venha comigo e raciocine, para se tomar a forma seria necessário estar em um estado que se adeque a essa “fôrma”,  e assim precisaria ser liquido, uma fé sólida não se encaixa na fôrma desse século, assim, não procura se adequar a ele, ao contrário, o “mundo” precisa necessariamente tomar a forma da fé cristã, seguir sua direção e afirmar seus valores. Quando dizemos que “fomos do mundo”, é porque deixamos que Jesus nos preenchesse e nos moldasse aos seus propósitos. Assim é!

Existe hoje um cristianismo líquido que procura, para agradar a todos e a todas as tendências, se adequar a elas. Nele, não há mais absolutos, tudo se relativiza e assim, der maneira ‘liquida”, se encaixa em toda e qualquer proposta mundana. Esse cristianismo líquido usa como base, equivocadamente, e fora de todo contexto, a máxima bíblica que devemos fazer de tudo para estar em paz com todos (Rm 12:28). Eu diria que ele se agarra muito mais ao ditado popular que quer agradar a gregos e troianos, e quem conhece um pouco de bíblia e de história sabe dessa impossibilidade. Quem assim age, desagradará a Deus.

O Cristianismo líquido não é escriturístico e assim se perde em valor e conteúdo. A sua liquidez gerou uma gama de pregadores que agora dizem o que querem em uma hermenêutica tão frágil quanto suas mentes vazias. Uma das maiores falácias escutei de um jovem pastor brasileiro quando disse: “se precisou ser Jesus para morrer em seu lugar, é porque você é muito importante, você é igual a Jesus”. Numa absurda inversão de papeis ele nos tirou do estado de miserabilidade, imperfeitos, pecadores, maus. Em uma frase ele dizia que não foi porque meu pecado era tão grande que precisava alguém como Jesus e sim que eu era tão importante quanto Jesus…

O cristianismo líquido é tradicional, mas é pentecostal, é reformado e carismático… não importa, ele se adequa a sua melhor forma e a sua maior conveniência. Ele jamais entra em uma “bola dividida”, afinal de contas, não quer ferir ninguém. Não, Jesus não foi assim, ele dividiu quando foi necessário, questionou quando necessário, exortou, advertiu e repreendeu, quando necessário.

Faça uma análise de seu cristianismo e veja quão liquido ele é…

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